ALICE

episódio de "As Libertinas"

 

ALICE

Episódio de 40 minutos do Longa-Metragem “As Libertinas” (1968)

 

Argumento, roteiro e direção de Carlos Reichenbach.

Fotografia e câmera: Waldemar Lima

Diretor Assistente: Antônio Manuel

Montagem e edição: Glauco Mirko Laurelli

Seleção musical: Salatiel Coelho

Produtora Xanadú Prod. Cinematográficas

 

Elenco: Célia de Assis (Célia Maracajá), Terezinha Sodré, José Carlos Cardoso, Eduardo Campos (Eduardo Queiroga), Antônio Manuel, Mady Sand e Benedito Lara.

 

35mm., 40 minutos e Preto e branco.

 

Estréia em São Paulo: Dia 06 de Dezembro de 1968, nos cines Belas Artes e Coral.

 

 

 

 

Sinopse

 Escritor e esposa se hospedam em uma colônia de férias de uma tradicional cidade balneária de São Paulo. Para fugir do tédio matrimonial eles se envolvem com vários personagens: uma camareira romântica, um transviado, um repórter picareta, o truculento administrador da colônia e sua mulher ninfomaníaca. No final, o apático escritor descobre que não há inspiração que resista a tanto hedonismo.

 Comentário

 Alunos da Escola Superior de Cinema São Luis, Reichenbach e João Callegaro uniram-se ao crítico mineiro Antônio Lima e, abandonando os projetos cinematográficos de teor político, progressista e revolucionário que tinham quando estudantes, realizaram esse filme debochado, já no estilo do que ficaria conhecido como "cinema cafageste" ou marginal, seguindo as lições do “quanto pior, melhor”.

 Para "homenagear" Primo Carbonari, Zé do Caixão, Nilo Machado e Ody Fraga, Reichenbach chegou a pedir ao fotógrafo Waldemar Lima (o mesmo de Deus e o Diabo Na Terra Do Sol), para tremer o tripé durante as panorâmicas, abolir os filtros, saturar o contraste fotográfico e girar a câmera alucinadamente em volta dos atores.

 “As Libertinas”, o longa metragem, é constituído de um rápido prólogo dirigido por Reichenbach, seguido do episódio “Alice”. Os outros dois episódios, de aproximadamente 20' cada um, são “Angélica” de Antônio Lima e “Ana” de João Callegaro. O filme se encerra com um longo strip-tease em plano fixo, concebido por João Callegaro como homenagem ao “clássico” “Superbeldades”, de Konstantin Tkaczenko.

 Com relação ao seu episódio, Reichenbach conta ter se inspirado em Brigitte Bijou (pseudônimo literário de Silvino Neto) e no prolífico Marcel Kappa, do best-seller pornô “Lua de Mel a Quatro”. Na tela, detalhes do turismo praiano bandeirante: estrias, varizes, vandalismo ecológico, cavalos na praia, nisseis tímidos, óleo no mar e a compulsiva disponibilidade sexual da classe média urbana quando exposta ao sol litorâneo.

 As filmagens foram feitas em Itanhaém, litoral Sul de São Paulo.

Com sua opção por uma estética do mau gosto, Callegaro e Reichenbach apontavam para um vértice extremo do nascente movimento tropicalista. “As Libertinas” foi feito ao mesmo ano que “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, dando início ao movimento cinematográfico denominado Cinema da Boca do Lixo, também conhecido como Cinema Marginal.

 Curiosamente, “As Libertinas” estreou em um tradicional cinema de arte de São Paulo, o Belas Artes. Fez um extraordinário sucesso de bilheteria, permanecendo mais de três meses em cartaz no cine Normandie.