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1980
fotografado e dirigido por CARLOS REICHENBACH
argumento e roteiro INÁCIO ARAÚJO e REICHENBACH
cenografia INÁCIO ARAÚJO
música CÉSAR FRANCK (excertos da obra)
montagem e edição ÉDER MAZINI
produtores REICHENBACH, MAZINI, ARAÚJO, JEAN GARRET,
CLÁUDIO CUNHA, ALFREDO COHEN e TITANUS.
elenco
ORLANDO PAROLINI (1), PATRÍCIA SCALVI (2), ROBERTO MIRANDA
(3), ALVAMAR TADDEI (4), BENJAMIN CATTAN (5), LIANA DUVAL (6), ZAIRA BUENO
(7), RITA HADICH (8), WILSON SAMPSON (9), VANIA BUCHIONI (10), MAURICE
LEGEARD (11) LUIZ CASTELLINI (12) e ISA KOPELMAN (13)
BRASIL,
1980 / 82, 35 mm, COLOR, 92' ( Versão Integral )


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SINOPSE
Fernando (1),
professor desempregado, sobrevive às custas de sua companheira, a operária
têxtil Rita (2). Num fim de semana o casal, que mora na região do ABC
paulista, se reúne com o técnico em computação Luís Carlos (3), e sua
namorada, a inexperiente Lilita (4). Luís Carlos, que foi aluno de
Fernando, é reacionário e arrivista. Os dois casais, em meio ao bucólico
cenário da represa Billings, encontram o cadáver de um homem
recém-enforcado. Este incidente irá modificar a vida dos quatro. Rita,
desiludida com a indiferença existencial de Fernando, envolve-se com
Boris (5), um dos diretores da fábrica em que trabalha. Lilita grávida, é
pressionada pelo amante à fazer um aborto. Dona Wanda (6), mãe de Luís
Carlos, convence o filho à cortejar Berenice (7), a rica filha de seu
chefe. O aborto ocasiona graves conseqüências na saúde de Lilita, e Luís
Carlos não tendo para onde levar a namorada, acaba pedindo a ajuda de
Fernando e Rita. A proximidade da dor e da morte faz Fernando renascer
para o mundo; e à restituição da dignidade e alegria de viver de Lilita, o
professor irá dedicar seus últimos resquícios de sentimento.
comentário
Melodrama
social que representou uma guinada na carreira de Reichenbach na direção
do " cinema da alma ", Amor, Palavra Prostituta, foi inspirado pela
leitura de filósofos pré-existencialistas como Soren Kierkegaard ( O
Tratado do Desespero ). Neste drama amargo e pessimista todas as cenas
de sexo e nudez se confundem com dor e amargura. Não existem heróis ou
soluções redentoras. Dissecação do desespero, o filme não faz julgamentos
morais, busca apenas detectar o mínimo de sentido e dignidade em
existências tão medíocres.
Filmado
com negativo vencido e com recursos mínimos, Amor, Palavra Prostituta
passou oito meses se digladiando com a Censura Federal, tendo sido
liberado pelo Conselho Superior de Censura com cortes mutilatórios, que
extirpou de sua versão comercial para o Brasil todas as cenas em que
Fernando cuida obstinadamente de Lilita, sob a alegação de que o cinema
não pode mostrar sangue menstrual impunemente. Reichenbach tentou por
todas vias conseguir a liberação integral de seu filme, mas teve que ceder
às pressões dos co-produtores que já haviam marcado a data de lançamento.
O diretor rejeita a versão mutilada, pois considera que sem as cenas
cortadas o filme não tem sentido de existir.
"Considero
este, o meu filme mais vigoroso e cerebral. Uma surpresa para as pessoas
que gostam do estilo anárquico e iconoclasta de meus filmes anteriores.
Minha experiência com o cinema dos sentimentos. Um filme realista, sombrio
e desencantado, tal como aprendi vendo o melhor de Valério Zurlini."
Exibido
na sua versão integral em diversos festivais europeus, Amor. Palavra
Prostituta conquistou prêmios e valeu ao diretor a alcunha de
"Fassbinder tropical".
Local das
Filmagens : São Paulo.
Lançamento em
São Paulo : 29 de Março de 1982, nos cines Marrocos, Barão, Gazetão e
circuito Haway.
* Prêmio Internacional
- CINEDECOUVÈRTES -Prêmio
de Distribuição para filmes de Qualidade - Cinematéca Real de Bruxelas -
e
Menção
Especial do Juri Francofone ("por apresentar um novo ponto de vista sôbre
a sociedade").
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Prêmio APCA: Melhor Ator (Roberto Miranda)
*
Festivais Internacionais: Rotterdam, Edinburg, Vienna, Amiens, Brussels,
Figueira da Foz,
Kopenhagen, etc.
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