1986

 

escrito e dirigido por  CARLOS REICHENBACH

fotografia  CONRADO SANCHEZ

cenografia  SEBASTIÃO DE SOUZA

música original  MANOEL PAIVA e LUIZ CHAGAS

diretor assistente EDUARDO AGUILAR

montagem e edição ÉDER MAZINI

produtor ANTÔNIO POLO GALANTE

 

elenco

BETTY FARIA (1), CLARISSE ABUJAMRA (2), IRENE STEFÂNIA (3), VANESSA ALVES (4), ÊNIO GONÇALVES (5), EMILIO DI BIASI (6),  RICARDO BLAT (7), CARLOS KOPPA (8), CHICA BURZA (9), KIKO GUERRA (10), SILAS GREGÓRIO (11), ELAINE MARCONDES (12)

e as participações de

JOSÉ DE ABREU (13) e NICOLE PUZZI (14).

 

BRASIL, 1986, 35mm, COLOR, 104'

 

 

 

sinopse

 

 Drama realista sobre três professoras e uma manicura que tentam sobreviver dignamente em confronto com o hostil ambiente de um bairro periférico de São Paulo. Carmo (3) abandonou o ensino por pressão do marido machista, o ex-policial e atual advogado "porta de cadeia", Henrique (5). Dália (1), eficiente e dedicada na profissão,  sustenta um irmão problemático, Afonso (7), e apesar do estranho relacionamento afetivo com o rico editor Carmona (6), é mal vista na escola por suas preferências sexuais pouco ortodoxas. Rosa (2) é uma mulher solitária, e dentre as três a que não nasceu para lecionar. Severa e rude com os alunos, mantem uma relação extraconjugal com o inspetor de ensino Soares (13). Aninha (4) é a manicura pobre, amasiada com o operário João (11), cuja tragédia pessoal irá transformar estas vidas tão comuns em manchete de jornais sensacionalistas.

 

comentário

 

  Votado pela crítica brasileira como um dos melhores filmes da década de 80, Anjos Do Arrabalde é o filme que melhor retrata as conseqüências da violência urbana no cotidiano da classe-média brasileira. Inspirado diretamente nas experiências profissionais de sua esposa Lygia ( dentista em escola de periferia ) e de sua cunhada Fátima ( diretora e professora de escolas estatais em bairros proletários ), Reichenbach mergulha sem complacência no seu imaginário à respeito do universo feminino submetido à violência machista que estigmatiza certas regiões em São Paulo, onde a classe-média começa à se instalar de maneira autoritária, empurrando as classes mais baixas para regiões mais distantes. É esse " progresso " desordenado que gera a violência latente no cotidiano dos subúrbios; e é esta agressividade incontrolável que interessa ao realizador detectar. Como em seus outros filmes " femininos ", Reichenbach retrata a sua admiração por mulheres fortes e independentes. Por ocasião da participação de Anjos Do Arrabalde no Festival de Rotterdam de 1987, o diretor foi chamado de    "o heterossexual de alma feminina".

  Para alguns críticos Anjos é um filme atípico na carreira do diretor. Mas esse estilo hiper-realista já se esboçava no curta Sonhos de Vida, no episódio A Rainha do Fliperama, e sobretudo no longa Amor, Palavra Prostituta. De certa maneira é a confirmação de sua paixão pelos filmes de Valério Zurlini ("o cineasta que melhor filmava sentimentos"), pela simplicidade narrativa de Rosselini e pela fase realista do mestre Luís Buñuel.

 O filme marcou a volta de Antônio Polo Galante à produção de cinema, após três anos dedicados à suinocultura.

 

Local das Filmagens: Vila Mirante e Pirituba, periferia de São Paulo.

 

Lançamento em São Paulo : Dia 19 de Fevereiro de 1987, nos cines Ipiranga 1, Art-Palácio, Astor, Center-Iguatemi e Vila Rica.

 

Prêmio Internacional

Prize L'AGE  D' OR /Belgium Cinemateque Real

 

* 15º Festival de Gramado: Melhor Filme (Juri Oficial), Melhor Atriz (Betty Faria) e Melhor Atriz Coadjuvante (Vanessa Alves)

* Prêmio Humberto Mauro: Destaque de Direção (Carlos  Reichenbach)  &  Revelação de Produtor (Antonio Polo Galante).

* Prêmio Governador do Estado de São Paulo: Melhor Filme do Ano, Melhor Atriz (Clarisse Abujamra), Melhor Atriz Coadjuvante  (Vanessa Alves) e Melhor Ator Coadjuvante (Ricardo Blat)

* Votado pelos Associação Dos Críticos do Rio de Janeiro como um dos melhores filmes da década de 80.

 

Festivais Internacionais

Rotterdam, Madrid, Ghent, New Delhi, Sorrento, Figueira da Foz, etc

* Mostra Internacional - Único filme brasileiro incluído na mostra The Cutting Edge, que percorreu mais de 30 cidades norte-americanas.