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A Badaladíssima dos Trópicos
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Os Picaretas do Sexo
Episódio de 42', do longa-metragem
AUDÁCIA! (1969)
Argumento,
fotografia e direção de Carlos Reichenbach.
Roteiro:
Jairo Ferreira e Carlos Reichenbach.
Montagem:
Jovita Pereira Dias
Trilha
Musical: Ravel, Xavier Cugat, Jimmy Hendrix, Brahms, etc.
Produtora
Xanadú Prod. Cinematográficas
Elenco:
Maria Cristina Rocha, Palito, Sabrina, José Carlos Cardoso, Cléo Ventura,
Gilberto Sálvio, Francis Cavalcanti, Marco Antônio Lellis, Wanda Rocha e
Verônica Krimann.
35mm,
Preto e Branco.
Estreou em
São Paulo no dia 10 de agosto de 1970, nos cines Arcades e Cosmos 70 (rua
Augusta).


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Sinopse
A
cineasta Paula Nélson consegue dinheiro com o namorado, um rico
fazendeiro de Barretos, e inicia seu primeiro longa metragem, "Landru 70". Quando
o fazendeiro se envolve
com uma aspirante a atriz, o elenco e a equipe do filme pressentem a
escassez de verba. Paula, no meio da crise, inicia um flerte com um ator
temperamental e a produção é
interrompida. A cineasta vive o dilema de ter ou não de ceder às pressões dos produtores da
Boca-do-lixo, que querem incluir cenas de sexo em seu filme experimental,
para liberar dinheiro para a finalização. Sentindo-se abandonada pelos
amigos e colegas de profissão, a cineasta, o seu assistente deslumbrado e uma jornalista,
que é fã de Samuel Fuller, atravessam as tardes em bebedeiras, andanças
desatinadas pela cidade de São Paulo e retórica exacerbada.
Impulsionada pelo assistente apaixonado, Paula resolve terminar o filme
na raça. Ela assume todas as funções possíveis: carrega o chassis da
câmera, fotometra, faz o foco e sai rodando uma interminável panorâmica sobre a cidade de São Paulo.
Ensandecido com tanta "genialidade", o assistente enlouquece e
empurra Paula Nelson do décimo andar para o vazio.
Comentário
Tributo
underground de Reichenbach à fase junkie de sua geração, o filme teve a
maior parte dos diálogos improvisados na hora da filmagem; muita câmera na
mão, Jimmy Hendrix na cabeça, anarquia total na frente e atrás das
câmeras, além de um desprezo absoluto pelas convenções da narrativa
cinematográfica.
Curtição e desbunde de difícil assimilação fora de sua
época. Referências anárquicas a Fuller, Godard, Chabrol e Jonas Mekas, um tanto antropofagicamente embaralhadas
- provavelmente, pelo efeito do
álcool e do cânhamo consumidos durante (e fora) as filmagens. O episódio,
apesar de tudo, possui fãs extremados.
Num dos textos mais ácidos sobre o filme, o crítico
Ely Azeredo acusou o filme de provocar o "baratinamento
do nervo ótico" com suas
trepidantes câmeras na mão.
Os dez minutos
iniciais de “Audácia!” flagram o nascente movimento de cinema em São
Paulo, que posteriormente ficou conhecido como Boca-do-Lixo. Candeias,
Sganzerla, Mojica Marins e os próprios realizadores aparecem em seu
habitat profissional: a rua do Triumpho. É o cinema dividindo espaço com a
baixa prostituição, as duas principais estações de trens da cidade, a
rodoviária e o núcleo central da marginalidade paulista. Esta introdução
se encerra com a documentação das filmagens de “O Profeta da Fome”, de
Maurice Cappovila. Segue o episódio de Reichenbach, em cuja abertura
Mojica Marins fala sobre cinema e ovelhas.
O filme se encerra com o
episódio “Amor 69” de Antônio Lima, de aproximadamente 30'.
A
distribuidora Horus Filmes lançou “Audácia!” comercialmente com o
subtítulo de A Fúria dos Desejos.
As filmagens foram feitas nas
cidades de São Paulo e Salto. |