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ESTA RUA TÃO AUGUSTA |
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Curta-Metragem - 1966 / 1968 Diretor: Carlos Reichenbach Texto da Locução: Antônio Lima e Carlos Reichenbach Fotografia e Câmera: Sílvio Bastos Diretores de Produção: Enzo Barone e Rodolfo Herder Assistente de direção: Hideo Nakayama Narração de Oswaldo Calfat Montagem e edição: Jovita Pereira Dias Produtores: Luis Sergio Person e Glauco Mirko Laurelli Produtora: Lauper Filmes elenco Waldomiro de Deus, Lindolf Bell e Enzo Barone. 35 mm, Preto e Branco, 8 minutos
WALDOMIRO DE DEUS - "Nossa Senhora de minissaia" Sinopse Documentário que registra, de forma irônica, o cotidiano de uma das ruas mais conhecidas da cidade de São Paulo e centro comercial de classe média alta. O filme centra sua atenção no pintor naif Waldomiro de Deus, cuja irreverência da obra e comportamento, se chocava frontalmente com o universo burguês dos freqüentadores do local.
Comentário Renegado por Carlos Reichenbach, que o considera muito fraco, trata-se de um exercício prático de alunos do 2º ano da Escola Superior de Cinema São Luiz, “Esta Rua Tão Augusta” foi produzido por Luiz Sérgio Person, seu professor e maior incentivador, responsável pela sua opção profissional. Filmado com sobras de negativo, equipamento emprestado e a colaboração de profissionais ligados à Person (Oswaldo de Oliveira e Glauco Mirko Laurelli), o documentário foi concluído dois anos depois graças à um prêmio recebido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, na primeira edição do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem. Teve seu certificado de curta-metragem negado pelo Instituto Nacional de Cinema com a justificativa de "mostrar lojas comerciais em atividade", e assim, nunca foi exibido comercialmente.
Depoimento Nunca fui um fã ardoroso do documentário. Fiz este filme porque o Person insistiu. Iniciei o projeto sem nenhum entusiasmo, mas aí conheci Waldomiro de Deus. Foi ele quem me deu material humano para "enfrentar" o documentário. Percebo hoje, à distância, que a figura irreverente, rebelde e iconoclasta de Waldomiro, além de representar para mim uma espécie de "irmão de universo", trouxe o gostinho da ficção para o gênero. Com o material todo filmado - e muito insatisfeito com ele - fui me dedicar à "Alice", o meu episódio em "As Libertinas". Durante dois anos fui cobrado por Person para finalizar o curta metragem. Quando surgiu o "Prêmio Estímulo", Person me intimou a apresentá-lo no concurso. Ganhamos o dinheiro para a finalização e aí resolvi transformar o material bruto num arremedo de filme institucional. Pedi ao sócio e amigo Antonio Lima para escrever uma narração leve e irônica, glosando o tom pomposo e ufanista das locuções do cine-jornal "Amplavisão", de Primo Carbonari. Contratei o próprio narrador do cine-jornal, Oswaldo Calfat, para colocar a voz e se "auto-ironizar". O filme abre com um plano que gosto muito: um carro sobe lentamente a rua Augusta vazia; sobre o capô do carro, um árabe vestido à caráter gesticula para o vazio; na banca sonora, um discurso de Martin Luther King. Esse "pastel de ruídos", que a abertura propõe, é que dá o tom do filme inteiro. O tempo passou, mas Waldomiro de Deus ainda é meu herói. Extraído do site de Waldomiro de Deus
Nos
anos 60, já vivendo de sua arte, Waldomiro de Deus morava na Rua Augusta.
"Adorava aquelas lojas de roupas bonitas. Um dia, vi uma minissaia numa
vitrine. Não sabia o que era. Experimentei e vi que era para mulher. A
dona da loja me desafiou. Disse que me pagava se eu saísse com ela no meio
da rua. Não pensei duas vezes. Me xingavam de tudo quanto era nome feio",
relata. Esse tipo de atitude desafiadora lhe deu notoriedade. "Pintei
Nossa Senhora de minissaia com cinta-liga e botas", lembra. Seu nome virou
assim sinônimo de polêmica. Convidado para o programa de TV "Quem tem medo
da verdade", por exemplo, e questionado sobre a sua masculinidade por
vestir minissaia, não titubeou: "Levantei a saia para que vissem que eu
era homem mesmo".
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