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1985
argumento e direção CARLOS REICHENBACH
roteiro e diálogos INÁCIO ARAÚJO e REICHENBACH
fotografia JOSÉ ROBERTO ELIEZER
cenografia CAMPELO NETO
música original MANOEL PAIVA e LUIZ CHAGAS
montagem e edição ÉDER MAZINI
produtores
ÉDER MAZINI, CARLOS REICHENBACH, ANÍBAL MASSAINI NETO
elenco
ÊNIO
GONÇALVES (1), EMÍLIO DI BIASI (2),
IMARA REIS (3), FERNANDO BENINI (4), ROSA MARIA
PESTANA (5),
ORLANDO PAROLINI (6), ALVAMAR TADDEI (7), BENJAMIN CATTAN (8),
VANESSA ALVES (9), RENATO MASTER (10), ROBERTO
MIRANDA (11),
participação do poeta CLAUDIO WILLER
apresentando a menina VALESKA CANOLETTI
BRASIL,
1985, 35 mm, COLOR, 90'



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sinopse
Após
assistir impotentemente a falência de sua pequena indústria de cigarros,
Fausto (1) mergulha no interior de si mesmo. Rompe com Doris (3), a esposa
infiel, rouba o revólver do zelador do prédio onde mora, e sai pela noite
de São Paulo em busca de Mira-Celi, seu paraíso imaginário. Em seu trajeto
suicida encontra personagens emblemáticos de sua existência obscura : o
amigo de infância e desonesto Wagner (4), a amante suburbana Mércia (5), o
visionário guru Honduras (6), um ex-colega da faculdade de economia que
vende carros de segunda mão, o cunhado salafrário Dr. Gildo Lobo (10) e
seu sócio Dr. José Carlos Barata (11), amante de Doris, e entre outros, e
sobretudo, Mefisto (2), que surge transvestido de várias formas, inclusive
como uma simpática velhinha. É a eterna busca do conhecimento que o conduz
à descoberta de seu próprio espelho. Uma viajem onde o importante não é
chegar, mas viajar ; um movimento circular permanente que leva Fausto à
concluir quem nem a alma tem para oferecer à Mefisto.
comentário
Ambicioso
projeto de Reichenbach, único de seus filmes realizado com financiamento
da extinta Embrafilme. Uma adaptação pessoalíssima da lenda de Fausto, e
sua trágica e eterna busca do conhecimento. Goethe, Marlowe, Coleridge,
Murnau e as óperas de Mahler e Gounod, sob a ótica urbana e fractal do
cineasta. Uma experiência radical que trafega por caminhos nunca antes
tentados pelo cinema brasileiro. Na opinião do saudoso crítico Edmar
Pereira : " Uma investigação existencial e filosófica capaz de fascinar ou
irritar o espectador. ". Em sua estréia mundial, no Festival de Rotterdam
de 1986, foi votado para o prêmio de "filme inovador do ano".
Polêmico,
desgovernado, carregado de citações literárias, Filme Demência
(anagrama de filme de cinema) indica uma nova guinada
na obra de Reichenbach: um cinema confessional, inspirado diretamente na
experiência existencial do realizador; no caso, a sua relação com a
própria extirpe. Reichenbach, filho e neto de industriais gráficos e
editores, tendo perdido o pai aos 13 anos de idade, assistiu
impotentemente a perda de todos os bens de família, inclusive a
tradicional e primeira indústria litográfica que seu avô veio, no início
do século, instalar no Brasil. Na tela, o mito de Faetonte, o filho de
Apolo que perdeu o "carro de fogo" herdado do pai.
As filmagens foram
interrompidas por três vezes devido às dificuldades na liberação do
financiamento, e o filme só pode ser concluído graças à dedicação de seus
dois atores principais. Toda a última parte do filme, as seqüências de
estrada e litoral, foram fotografadas pelo próprio Reichenbach, e com o
auxílio de uma equipe reduzida pela metade. A premiada trilha musical de
Manoel Paiva e Luiz Chagas se inspira diretamente na Oitava Sinfonia
de Gustav Mahler. O filme foi totalmente rodado em São Paulo e nas
proximidades de Bertioga.
Lançamento em São Paulo :
dia 19 de Março de 1987, exclusivamente no cine Belas-Artes.
* 14º Festival de Gramado: Melhor Diretor (Carlos
Reichenbach), Melhor Ator Coadjuvante (Emílio Di Biasi),
Melhor Atriz
Coadjuvante (Imara Reis),
Melhor
Montagem (Eder Mazini)
e
Prêmio da Crítica (Melhor Filme)
* 3º Rio Cine Festival: Melhor Ator (Ênio Gonçalves)
e
Melhor Trilha Sonora (Manoel Paiva & Luiz Chagas)
* Troféu Macunaíma - Federação Nacional de Cine-Clubes
(melhor filme de 86)
Festivais Internacionais
Rotterdam,
Salssomagiore, Montreal, Edinburg, Ghent,
etc.
* Votado no Festival de Rotterdam para o prêmio de "filme
inovador do ano".
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