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Desordem Em Progresso
episódio de 20
minutos do longa-metragem
“City Life”
1988/90
Escrito, fotografado e
dirigido por Carlos Reichenbach.
Supervisor de diálogos:
Inácio Araújo.
Diretor de arte:
Sebastião de Souza.
Música original: André
Luiz Oliveira.
Som direto Tide Borges
e Lia Camargo.
Montagem e edição Éder
Mazini.
Produtor executivo:
Júlio Calasso.
Produtores: City Life
Foundation / Rotterdam Films / Casa de Imagens Cinema e Vídeo
Elenco
Paulo Marrafão,
Laurente Caraguá, Luís Ramalho, Sílvio Ferreira, Guilherme Lisboa, Júlio
Calasso Jr., Zé da Ilha, Ricardo Homuth, Emilio de Mello, Cristina
Rodrigues
Participações especiais
Marlene França e Iara
Jamra.
16mm (negativo de
filmagem), 35mm (cópia final) - Colorido.



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Sinopse
O episódio abre
com um depoimento do urbanista Floyd Cramer, explicando que a maior parte
do contingente de jovens que vivem em São Paulo é formado por rapazes e
moças que vêm do interior do Estado e do sul de Minas Gerais tentar a vida
na cidade grande. Percebe-se em seguida que o urbanista está sendo filmado
por uma equipe de cinema, onde desponta o assistente de produção apelidado
de Coringa. Ele é incumbido pelo diretor de cuidar do jipe da produção
durante o final da semana. Coringa, motorizado, parte em busca de seus
amigos Palhaço, Cubatão e Miliquinho. Os três saem sem destino pelas
avenidas marginais da cidade até acabar a gasolina do carro. A aventura
destes quatro jovens que vivem de sub-emprego é entrecortada por
depoimentos dos próprios atores, que, não por acaso, foram escolhidos pela
sua identidade com os personagens. Coringa fala da mãe, uma modesta
funcionária pública, e da namorada evangélica. Cubatão tenta convencer o
pai operário e doente a abandonar a poluída região onde mora e ir com ele
para a metrópole. A vida cigana e despojada de Palhaço afasta-o de seu
namorado, um bancário yuppie e ambicioso. Miliquinho explica para um
colega de regimento que não pretende seguir a carreira militar. Os quatro
personagens centrais encontram o cadáver de um turista assassinado. É o
fim da viagem sem rumo.
Comentário
O projeto City
Life nasceu de uma idéia dos cineastas holandeses Dick Rijneke e Mildred
van Leeuwaarden, que desde 1985 buscavam reunir doze realizadores de
diferentes países, todos descobertos por Hubert Bals, criador do Festival
de Rotterdam. Foram cinco anos de trabalho até a estréia mundial do filme
numa versão de quatro horas de duração, na abertura do Festival de
Rotterdam de 1990. Entre os realizadores dos demais episódios vale
destacar Krzysztof Kieslowski (Polônia), Mrinal Sen (Índia), Alejandro
Agresti (Argentina), Clemens Klopfenstein (Suíça/Itália) e Bela Tarr
(Hungria). O episódio brasileiro, filmado em São Paulo em 88 e editado na
Holanda em 89, foi co-produzido pela Casa de Imagens Cinema e Vídeo,
produtora que reunia seis realizadores independentes (André Luiz Oliveira,
Andréa Tonacci, Carlos Reichenbach, Guilherme de Almeida Prado, Inácio
Araújo e Júlio Calasso Jr.). A produtora foi desativada em 91. As únicas
exibições do filme no Brasil, em sua versão integral e ampliada para 35
mm, aconteceram na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em Outubro
de 1990.
A característica
principal do episódio “Desordem Em Progresso” é o seu despojamento e a
opção de Reichenbach por um realismo quase didático.
“Quis dar vez à
voz dos meus atores/personagens. A ficção existe em função do que ouvi nos
depoimentos deles. Foi uma experiência nova e interessante, e que pretendo
usar em um futuro longa-metragem.”
Prêmio Internacional
The Getz
World Peace Medal (Chicago Film Festival - 1990)
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