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filmado em novembro e dezembro de 2006 concluído em outubro de 2007 lançamento: abril de 2008
Fotos de cena - Luciana Benaduce Figueiredo
DEPOIMENTO DO DIRETOR
em 09/12/2006
- CARLOS REICHENBACH Página do filme do Festival de Fribourg (Suiça). |
Dezenove Som e Imagens apresenta
Operária especializada e competente, a bela Silmara (Rosanne
Mulholland) sustenta o pai, Antero (João Bourbonnais), um ex-presidiário físicamente deformado pelo fogo e tenta a todo custo reatar relações amigáveis entre o pai e o irmão caçula, o
cabelereiro Tê
(Léo Áquila). Apesar de atrair e ser atraída pelos homens, Silmara mantém um ambíguo relacionamento com a professora de dança Regina (Luciana Brites).
Silmara compensa a deprimente miséria familiar com um comportamento
aparentemente agressivo, fútil e despachado. Na fábrica, ela é instada por sua melhor amiga, a também operária Luiza (Vanessa Prieto), a se tornar a
"pigmalião" da tímida, desajeitada e solitária Briducha (Djin Sganzerla). Silmara, Briducha e a professora municipal Ligia (Maeve Jinkings), juntam suas economias para assistir o show do grupo "Bruno e seus Andrés", no Clube Alvorada. Ao se envolver emocionalmente com o ídolo Bruno de André
(Cauã Reymond), Silmara passa a representar para suas amigas do trabalho a utópica possibilidade de rápida ascensão econômica e social e se torna um mito entre as colegas Milena (Suzana Alves), Valquíria (Priscila Dias), Fátima (Naruna Costa) e Rosecler (Ingrid Silveira). Somente Luiza, sua confidente, fica sabendo que Bruno a tratou como uma réles prostituta. Ao mesmo tempo, ela desconfia que o pai voltou a atividade de incendiário profissional. Apesar da brutal lição de desprezo com o ídolo pop, Silmara irá repetir o mesmo trajeto abissal quando, através da intermediação do poderoso advogado Dr. Vargas (o cineasta e jornalista Bruno de André), é contratada para passar um final de semana como acompanhante do maior cantor da música romântica brasileira, Luís Ronaldo (Maurício Mattar) e de seu
filho Leonel (Emanuel Dórea).
Participações especiais Ator convidado
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE "FALSA LOURA", QUE SERÁ MOSTRADO PUBLICAMENTE, PELA PRIMEIRA VEZ, NO FESTIVAL DE BRASÍLIA, SÁBADO, DIA 24 DE NOVEMBRO e sugeridas por entrevista a Ana Carolina Horta, da revista virtual BOCA A BOCA.FALSA LOURA é o quarto ou quinto filme que faço tendo como protagonistas mulheres proletárias ou da baixa classe média. Originalmente foi um dos quatro roteiros que escrevi, estimulado pela Bolsa Vitae, que buscavam retratar o meu imaginário a respeito da mulher operária. Durante dois anos, eu mergulhei no ambiente das tecelãs do ABC paulista. Todos os quatro roteiros partiam de uma premissa anarco-libertária de que o verdadeiro espaço de liberdade do proletariado é o tempo livre; de que o trabalho só tem sentido quando enxergado como prazer. A idéia inicial era filmar os quatro roteiros de uma só vez. Como só consegui filmar o primeiro deles “Aurélia Schwarzenega” (posteriormente batizado de GAROTAS DO ABC), resolvi fazer algumas mudanças substanciais no que seria o segundo filme da série ABC-CLUBE DEMOCRÁTICO. Mudei o nome das personagens, aboli a região do ABC e resolvi trabalhar com um elenco completamente novo para mim. O ambiente proletário e operário continuou o mesmo, embora em outra geografia. Mantive também a essência da narrativa dramática e a perspectiva política do projeto original. A escolha do elenco foi instintiva, já que aqueles rostos que eu enxergava na escritura do roteiro já possuíam personalidade própria. Rosanne Mulholland nem estava loura quando a vi pela primeira vez em A CONCEPÇÃO; mas havia uma tamanha determinação e atrevimento em seu olhar, que pedi para a Vivian Golombek, produtora de elenco, marcar uma entrevista com ela, em São Paulo. No caso, eu precisava de uma atriz que conseguisse imediatamente transmitir uma falsa impressão de excessiva auto-estima; uma certa arrogância em sua beleza trivial e agressiva. Silmara, a protagonista, foi construída como uma personagem que deveria revelar sua integridade e delicadeza aos poucos. Sua insuspeitada fragilidade só poderia ser explicitada nos minutos finais do filme. Desde a sua gênese, o roteiro previa um desfecho desconcertante; uma lição de vida absorvida na porrada, um obstáculo que impõe a superação de cabeça ereta. Nesse sentido, a construção final da montagem obedeceu – e muito – o rendimento proporcionado pela entrega absoluta da atriz ao seu personagem. Eu e montadora Cristina Amaral cortamos seqüências inteiras estimulados por sua vigorosa atuação. O Cauã Reymnond foi outra aposta pessoal que me surpreendeu a cada dia de filmagem. Inicialmente, pensei em fazê-lo dublar um profissional nas seqüências cantadas; mas ele insistiu em passar por teste, mesmo sem ter enfrentado microfone uma vez na vida. Quando conversei com o Nelson Ayres, diretor musical do filme, ele declinou: “Não me faça fazer isso, eu vou reprovar antes de ouvir!”. Afinal, Ayres foi o responsável por revelar algumas das mais belas vozes do país; Mônica Salmaso, entre elas. Foi então que ele sugeriu Marcos Levy, o melhor arranjador de música “soul” do Brasil, para se responsabilizar por toda trilha pop do filme e dividir a assinatura da trilha original. Levy proibiu Cauã de fazer teatro no dia do teste e eu fui testemunha da tortura tonal a que o ator foi submetido. Eu já tinha desistido da empreitada quando Levy me chamou de lado e disse que ia dar certo. Com o empenho do ator, o talento de Levy e a generosa contribuição da Banda Trupe, Cauã se tornou o ídolo Bruno de André, ao vivo e a cores. Foi essencial também o fato de Paulo Ricardo ter cedido uma música inédito de seu disco “Prisma”, chamada “Noites Vazias” (é óbvio que escolhi esta música como uma homenagem pessoal a Walter Hugo Khouri), para a performance do ídolo jovem. No mais, acho que tive muita sorte com todo o elenco. Djin Sganzerla é um assombro, mesmo sabendo que corre cinema em seu sangue e veias desde o dia em que nasceu. Sabe-se que é muito mais fácil transfigurar uma mulher bonita do que o contrário, mas nenhum efeito de maquiagem substitui o impacto de uma expressão contundente de exclusão. Embora apareça menos de quinze minutos em cena, Maurício Mattar foi essencial para dar credibilidade – com seu carisma, masculinidade e doçura de voz - ao personagem Luis Ronaldo, o maior cantor romântico do hemisfério; uma espécie de Julio Iglesias nativo. João Bourbonnais, Léo Áquilla, Jiddu Pinheiro, Maeve Jinkings, Vanessa Prieto, Luciana Brites e todos os demais atores talentosos vieram do teatro. Uma participação que, acredito, vai surpreender todo mundo é a de Suzana Alves, cujo imenso talento cômico e cênico vem sendo lapidado há alguns anos no grupo Macunaíma. O único ator com quem eu já havia trabalhado intensamente antes é o Bertrand Duarte, o protagonista de ALMA CORSÁRIA, que faz uma participação muito especial neste filme. FALSA LOURA não é exatamente aquilo que a gente costuma chamar de “música para festival”. É um filme em tom baixo. Eu o defino como um adágio, no sentido latino ou itálico e musical do termo: "uma sentença breve que encerra uma moralidade"; "um dos andamentos lentos da música". Este “racconto” que encerra uma moralidade, não será nunca moralizante. Trata-se de decifrar alguns códigos das paixões efêmeras e prosaicas. A mensagem é óbvia: sem estrada não há destino. Só é possível atravessar o pântano sujando as patas e saindo ileso. Aliás, a periferia neste filme é uma metáfora do pântano. FALSA LOURA é também “quase” um musical e seus quinze minutos finais estão entre o que eu filmei de melhor na vida. Como a platéia vai reagir a este adágio é uma incógnita. Uma coisa eu prometo: toda a urgência de abstração, a fúria cinéfila lapidada nestes últimos meses de prospecção virtual e a energia insurreta armazenadas antes e após a minha ressurreição no Incor (após três pontes de safena e uma mamária incrustadas no meu Graal), eu estou guardando para o meu próximo filme, O MAR DAS MULHERES FINAIS. Aí, quem sabe, eu volte em um novembro próximo para me imolar publicamente no palco do cine Brasília. CARLOS REICHENBACH - Novembro de 2007 |
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