A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS

 

1978

 

escrito, fotografado e dirigido por  CARLOS REICHENBACH

montagem e edição  WALTER VANNI

seleção musical  CARLOS REICHENBACH

produtor ANTÔNIO POLO GALANTE

 

elenco

NEIDE RIBEIRO (1), ROBERTO MIRANDA (2), MEIRY VIEIRA (3), FERNANDO BENINI (4), CARLOS CASAN (5), ZILDA MAYO (6), FÁTIMA PORTO (7), OLINDO DIAS (8), TECA KLAUS (9) e JOÃO MAIA NETO (10).

 

BRASIL, 78 , 35 mm, COLOR, 90'

 

 

sinopse

 Ana (1), falsa jornalista e assassina profissional, é designada pela organização de extrema direita para qual trabalha, para uma audaciosa missão na Ilha dos Prazeres. Usando como guia o ex-jornalista Sérgio (2), Ana deverá conseguir entrar no local e eliminar dois refugiados subversivos : o teórico reichniano William Solanas (5) e o anarquista Nilo Baleeiro (4). Em contato direto com o hedonismo do paradisíaco reduto de renegados, a sicária descobre, à duras penas, a função revolucionária do prazer.

 comentário

 Com apenas 6.000 metros de negativo e três semanas de filmagens, Reichenbach realiza o seu maior sucesso de bilheteria. Quatro milhões de espectadores no Brasil e em outros países da América do Sul. Retomando a idéia básica de seu primeiro longa metragem CORRIDA EM BUSCA DO AMOR, recicla clichês do cinema comercial, e no caso, subverte o repertório do filme erótico. 79 assistia no Brasil o auge da pornochanchada. Reichenbach aceita o desafio lançado pelo produtor Antônio Polo Galante ao tentar renovar o gênero. Amoral e libertário, A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS mistura Mata Hari com William Reich, fotonovela com Oswald de Andrade, comics erótico com Bakunin, Marie Chantal com Henri Michaux, embalado pelo som da poesia de John Lennon : " Amor é Toque. ". A nutopia do emblemático casal Yoko / Lennon imaginada no promontório de exilados políticos. Exílio, utopia e orgasmo são os temas desta aventura nos mares do sul. Diálogos extraídos da subliteratura num despojamento intelectual aparente. Uma bombardeio subliminar de erudição, catarse e revolta. Dinamite puro.

 Reichenbach filmou o Pacífico em pleno Atlântico, geografia criada pela atmosfera e por uma trilha musical personagem. O imaginário implodido numa micro-produção do eficiente Galante. A censura pediu cortes, mas o público exultou com seu desfecho, onde dois homens se abraçam e se beijam, agarrados à mesma mulher, num arremedo de happy-end e " menáge à trois ". O público ávido por cenas de nudez convencional se surpreendeu com as menções de sexo tribal, amor livre e lesbianismo explícito tendo como pano de fundo questionamentos existenciais e ideológicos. Seqüência de impacto: Baleeiro sendo selvagemente explodido à dinamite, ao som de GOD de Lennon.

 Fuller, Makavejev, Emma Goldman e Jean Luc Godard nas espumas da pornochanchada.

Local das filmagens : Peruibe, Itanhaem, Iguape e São Paulo.

Lançamento em São Paulo : dia 15 de Janeiro de 1979, nos cines Marrocos, Marabá, Goiás, Amazonas e Aladin.