O IMPÉRIO DO DESEJO

 

1980

escrito e dirigido por  CARLOS REICHENBACH

fotografia e câmera  ALFRED STINN

cenografia  CONRADO SANCHEZ

seleção musical  CARLOS REICHENBACH

montagem e edição  GILBERTO WAGNER

produtor  ROBERTO POLO GALANTE

 

elenco

ROBERTO MIRANDA (1), BENJAMIN CATTAN (2), MARCIA FRAGA (3), MEIRY VIEIRA (4), ORLANDO PAROLINI (5), JOSÉ LUIZ FRANCA (6), NÁDIA DESTRO (7), MISAKI TANAKA (8), DINO ARINO (9), GENÉSIO CARVALHO (10), FELIPE DONOVAN (11), MARISTELA MORENO (12), CAVAGNOLI NETO (13), FAFÁ (14)

participações especiais

ALDINE MULLER (15)

MARTHA ANDERSON (16).

 BRASIL, 1980, 35 mm, COLOR, 105'

 

 

 

sinopse

 Sandra (4), viúva de um milionário devasso, vai ao litoral recuperar sua casa de praia tomada por grileiros. Na estrada dá carona à um casal de hippies extemporâneos (1 e 3). Auxiliada pelo rábula Dr. Carvalho (2), Sandra recupera a propriedade e convida o casal de caronas a assumir a função de caseiros. À partir daí o casal vai gradativamente se envolvendo, física e emocionalmente, com uma galeria de personagens insólitos, incluindo a própria viúva, seu namorado (6) e o advogado, que se apaixona perdidamente pelos dois. Como contraponto ao fênix orgástico que se instaura no tugúrio litorâneo, sobressai a figura do anjo vingador Di Branco (3), um ex-tudo que liquida à porretadas : proselitistas renitentes, turistas predatórios e boçais de toda a espécie. O filme conclui com a vitória de Eros sobre Tanatos.

 comentário

  Conseqüência do sucesso comercial de A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS, a realização de O IMPÉRIO DO DESEJO (ex- ANARQUIA SENSUAL) é a exacerbação do estilo buscado por Reichenbach: manipulação de clichês narrativos, subversão do repertório do filme erótico e comercial, mistura de gêneros, criação obsessiva de atmosferas, busca de uma geografia própria, a música como personagem e elemento narrativo com o mesmo peso que imagens e diálogos, e neste filme, sobretudo, a defesa veemente do ideário anarco-libertário. Foi o filme brasileiro convidado à participar de festivais de cinema de teor anarquista como os de Melbourne, Portland  e Lyon.

 O Império Do Desejo é um dos filmes preferidos de Reichenbach.

 "Sonho um dia voltar à fazer um filme com o mesmo prazer, liberdade e disposição com que realizei este. Quando baixa o astral, revejo Império. É o que basta para me colocar novamente em harmonia com o universo."

 Em enquête realizada pelo jornal Cine Imaginário, o filme aparece em algumas listas como um dos dez melhores do cinema brasileiro. Talvez seja de todos os seus filmes o que mais atesta a afirmação de Roberto Santos de que o cinema brasileiro é capaz de transformar a falta de condições em elemento de criação.

 O Império Do Desejo foi o primeiro filme nacional liberado na íntegra pelo, na época, recém criado Conselho Superior de Censura, com o rótulo de "espetáculo pornográfico", pouco tempo após ter sido interditado para todo território nacional com a justificativa de subversivo e atentatório à moral e aos bons costumes.

Local das filmagens : Ilha Comprida e Iguape.

Lançamento em São Paulo : dia 30 de Março de 1981, nos cines Marabá, Olido e Del Rey