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1981
escrito e dirigido por CARLOS REICHENBACH
fotografia ALFRED STINN
diretor
assistente
CARLOS SHINTOMI
música original
HYLDON,
PAPETE, OSWALDINHO DO
ACORDEON e ALMIR SATTER
montagem e edição GILBERTO WAGNER
produtor ROBERTO POLO GALANTE
elenco
JONAS
BLOCH (1), VANESSA ALVES (2), LUIZ CARLOS BRAGA (3),
ANA
MARIA KREISLER (4), FERNANDO BENINI (5), CARLOS CASAN (6),
TONI FERNANDES (7), RAILDA NONATO (8), DÉBORA BERBERT (9)
e as participações de
SELMA EGREI (10) e PATRÍCIA SCALVI (11)
BRASIL, 1981, 35 mm, COLOR, 95'

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sinopse
Celso Felix (1),
radialista de sucesso na metrópole e desiludido com sua rotina de vida,
abandona mulher (11) e filhos, e muda-se para uma pequena cidade
balneária do litoral de São Paulo. Ali, empregado em uma modesta estação
de rádio local, tenta afogar sua frustração existencial em jornadas
etílicas com o amigo Goiaba (5) e nos braços de uma jovem caiçara (8) e de
uma intelectual (10), que se instalou ali para concluir sua tese de
mestrado. O dono da estação em que Celso trabalha é Walter Berlanga (6),
empresário do ramo imobiliário, que mantém a emissora por capricho de sua
jovem filha Paula (2). As coisas parecem tranqüilas para Celso, quando
surge Rivaldo Menezes (3), velho amigo e mentor profissional, e tenta
novamente envolvê-lo na sedução capitalista, no jogo do poder e da
concorrência desleal. Rivaldo é um profissional em fim de carreira e, para
alcançar seus objetivos (convencer Walter a vender a rádio para o
concorrente, e assim ganhar uma alta comissão), não hesita em empurrar a
própria companheira de vida, a sensual e calculista Ângela (4), em cima do
amigo.
comentário
Inspirado por uma frase
de Carlos Drummond de Andrade, Reichenbach escreve e realiza o seu filme
mais linear. Misógino e verborrágico, O PARAÍSO PROIBIDO faz a
elegia do individualismo libertário. Como diz o personagem central : "É
meu direito não fazer porra nenhuma; sobretudo, coisas que não valem a
pena." - É o supremo direito do recomeçar permanentemente que o filme
procura evocar. Sob a superfície de um aparente melodrama romântico e
erótico se esconde uma tragédia heterossexual. Não é o conflito que
importa ao realizador, mas o mergulho no interior de um personagem
contraditório, scorceseano, em permanente questionamento de
si mesmo; um inconformista que, ao buscar uma experiência existencial
provisória, tenta encontrar o seu espaço no universo. Não por acaso, O
Paraíso Proibido faz referências constantes ao filme O Amigo
Americano de Wim Wenders e, como este, narra a história de uma amizade
antiga e incômoda. Mais uma vez, surgem temas recorrentes da obra de
Reichenbach: a impossibilidade do isolamento absoluto e o embate cotidiano
do indivíduo culto com os fascismos triviais.
“Dentre os 14 filmes de
longa metragem que realizei, eu tenho tem um “filho atípico”, meio
esquisito e sem sofisticação nenhuma, pelo qual tenho um carinho muito
especial. Os amigos e conhecedores da minha obra nunca deram muita
importância, mas minha mulher diz que ele é a minha cara. Ele se chama
O PARAÍSO PROIBIDO. Cada vez que o revejo, eu sinto um enorme prazer.
Talvez por ser o mais prosaico de todos; talvez por seu matiz lilás que me
remete a experiências pessoais da adolescência. Novamente a fonte de
inspiração foi o cinema de sentimentos de Valério Zurlini.
Celso Felix é um duplo do personagem interpretado por Alain Delon em A
PRIMEIRA NOITE DA TRANQÜILIDADE. Filmei O Paraíso Proibido
lendo diariamente os poemas de Jorge de Lima: Vinde vós da cidade
para o campo, onde existe a aventura da malária."
Local das Filmagens :
Itanhaem, Santos, Praia Grande e São Vicente.
Lançamento em São Paulo:
dia 19 de Outubro de 1981, nos cines Marabá, Del Rey, Cinemar, Amazonas e
circuito. |