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A Rainha do Fliperama
Episódio de 30' do longa “As Safadas” (1982)
Escrito, fotografado e dirigido por
Carlos Reichenbach
Diretor de
produção: Eduardo Santos
Montagem e
edição Éder Mazini
Produzido
por Antônio Polo Galante
Elenco:
Zilda Mayo, Wilson Sampson, Carlos Koppa e Jonia Freund
35mm,
Colorido
Local das
Filmagens: São Paulo.
Lançamento
em São Paulo no dia 10 de Maio de 1982, nos cines Marabá, Gazetinha
Centro, Amazonas e circuito Sul.




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Sinopse
Tenório, um medíocre
bancário de trinta anos, descobre que seu casamento está em frangalhos.
Perambulando pela noite, entra desnorteado em um fliperama no centro de
São Paulo. Espectador de uma partida movimentada, com apostas em dinheiro,
reconhece Reginéia, sua namorada de infância. Analfabeta, mas linda e
cheia de vida, ela agora vive de sua habilidade com as máquinas e é
explorada pelo rufião e despachante Giba. Feliz em reencontrar Tenório,
Reginéia leva-o para conhecer o sobrado onde vive com o amante. Tenório e
Reginéia encontram-se no centro de São Paulo, e passeiam de mãos dadas
pela Praça da República como faziam anos atrás. O bancário, para desespero
de Giba, convence Reginéia a rever o bairro operário onde cresceram
juntos, e visitar a mãe, que a expulsou de casa quando jovem. Os três
personagens empreendem uma volta ao passado, mas as pessoas já não são
mais as mesmas, da mesma forma que a cidade. Tenório e Reginéia acabam
concluindo o que deixaram de fazer quando jovens, mas o bancário se revela
incapaz de retribuir o carinho e a alegria que ela esbanja. Reginéia volta
às máquinas de flíper, revigorada e dona de si mesma, agora com o passado
resolvido, e tendo o rufião na palma de sua mão.
Comentário
Boa idéia que se ressente da
produção feita às pressas, com pouca verba. Reichenbach aceitou o convite
do produtor Galante e dirigiu um dos episódios em tempo recorde. Do início
das filmagens ao lançamento nos cinemas foram três meses. Apesar dos
recursos mínimos “A Rainha do Fliperama” se filia à linha intimista dos
filmes “femininos” do diretor. Reginéia tem relação com a Maria de "Lilian
M.", e também com a Rita de “Amor, Palavra Prostituta”, bem como com a
manicure Aninha de “Anjos do Arrabalde” e, de certa forma, com a
prostituta Anésia, de "Alma Corsária". O que torna Reginéia fascinante é a
sua absoluta falta de angústia. Ela é uma marginal poderosa porque ama a
vida e as pessoas que se aproximam dela. O final do episódio, na sua
amoralidade, não aponta para a aceitação resignada da prostituição ou da
marginalidade. Assim como na última seqüência de "Lilian M.", o que vinga
é a consciência da própria liberdade, que faz com que as duas heroínas
voltem para a estrada. O bancário Tenório, com seu baixo astral e egoísmo,
é condenado ao pior castigo existencial: continuar vivendo, impotente e
mediocremente, sem compreender a opção de vida dos que o rodeiam.
No final da frustrada cena de amor
entre Tenório e Reginéia, Reichenbach lê pessoalmente trechos do poema “O
Marinheiro” de Fernando Pessoa.
O longa-metragem “As
Safadas” inicia com o episódio de Reichenbach. Na seqüência, vem o ótimo
episódio “Aula de Sanfona”, que marca a estréia na direção do montador,
roteirista e crítico Inácio Araújo. A trilogia se completa com “Belinha, A
Virgem”, de Antônio Melliande.

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